by Hellder 'Lage' de Pinho
xiba-te
by Hellder Pinho, em 28.05.16 às 23:17link do post | favorito

A sorte não se encontra, procura-se e conquista-se, não quer dizer que ocorra pelos esforços que fazemos ou pela vontade que por ela demonstremos, mas conta sempre com o nosso ânimo para se revelar.

Não consta que ninguém tenha tido a sorte de ganhar um prémio sem ter o boletim, mas se não tiver jogado terá de pelo menos que contar com o azar de quem o perdeu para que eventualmente a sorte possa ser sua.

A sorte não cai do céu, até a chuva que é chuva depende da conjugação de vários factores que proporcionam uma situação favorável à sua ocorrência, e se o agricultor acabou de plantar o nabal há-de erguer os braços e saudar a sua sorte, mas se chover e a colheita estiver na eira… bem que amaldiçoa a sua sorte e tudo o mais que lhe aparecer pela frente.

a sorte não cai do céu.jpg


xiba-te
by Hellder Pinho, em 16.08.12 às 07:11link do post | favorito

Na praia é assim reina a democracia, são as Francesas com os seus enormes biquínis, as Alemãs a querem ver-se livres deles, e as Portuguesas que aderiram em massa à moda das Italianas e preferem os cavados, sempre enfiados, na linha que separa tudo isto encontramos alguns machos que continuam a preferir as esplanadas e as minis deixando assim a areia menos poluída, entretanto os miúdos continuam a divertir-se com o que mais interessa na praia: areia, sol e mar...

Agora resta besuntar as curvas com o creme de cenoura, espetar com os phones nos ouvidos dedilhar pelo iPod à procura do ultimo êxito do Tony Carreira, e esperar que passe um garoto qualquer mais atrevido e que nos deixe salpicados de areia qual panado acabadinho de fritar, o pretexto perfeito para (des)armar barraca e ir dar um bom mergulho, isto é ir molhar os pés, que mesmo com bandeira verde por aqui a água é fresquíssima e as ondas metem medo.

De volta à toalha é tempo de mordiscar uma maçã (qual macintosh qual quê: starking espanhola e ainda com a etiqueta, para dar mais style), até parecia mal trazer uns croquetes para a praia, mas até já ia...

Não há areal que se preze onde não apareçam os vendedores ambulantes, um marroquino carregado de produtos das melhores e mais caras marcas de renome, e como sempre cheio de faro para o negócio aborda um casal de Francius que a falar um português impec dizem que aquilo não lhes serve: «ando de Panamera num bou comprar disso» diz ele, «e o original Versace é verde e castanho queu bi em paris» queixa-se ela enchendo o peito de ar para realçar a caixa torácica, mais à frente o magrebino lamenta não ter os tais iPhone de 150 paus mas «ficaru retidos em Valência…», e há propostas para todos os gostos: «Bolacha Americana, a língua da Sogra... Ai Sogrinha!» apregoa um, «chora que a mãe dá» grita o das pipocas, por aqui só faltam (tipo) as bolas de Berlim, mas não fazem falta, não estivesse-mos nós numa praia do “noarte” e isso é coisa de alfacinhas que gostam de (tipo) se intoxicar…, o desfile continua, passa uma cigana carregada de cabides e larga mais um piropo: «ó jeitoza! querez'um bestido?», nisto o marroquino volta à carga e consegue sacar aos esquisitos 60 broas, uns óculos de sol para ele e uma mala para ela, afinal "as cores até cumbinam bem". Na debandada a alemã ainda fica à espera do pôr-do-sol e diverte-se na sua arte burlesca de esconder pouco aquilo que parece desejosa por mostrar, a esquisita chique trocou o saco preto do PingoDoce pela Versace, e o esquisito ainda não conseguiu pôr o Renault 19 a trabalhar, deve ter vindo com o carro do jardineiro e deixou o Porsche na garagem, só para disfarçar... Claro!

Na praia é assim reina a democracia.

Praia de Aver-o-Mar, Povoa de Varzim 

Praia de Aver-o-Mar, Povoa de Varzim


xiba-te
by Hellder Pinho, em 17.06.12 às 04:44link do post | favorito

O Tuga tem sempre troco para tudo, da menina do pronto-a-vestir que zelosamente apresenta o cêntimo da praxe para as calças de 30 euros que “apenas” custam 29,99 ao tasqueiro que cobra o que lhe der na real gana e ainda nos faz o manguito no fim, "toma lá que é democrático".
As mais insuspeitas donzelas, quais peixeiras de língua afiada, trazem sempre o porta-moedas carregado de trocos, pronto a vomitar à mais inocente vitima que se lhes apareça pela frente, do mais boémio piropo ao mais obsceno palavrão, até parece que engoliram uma enciclopédia de asneiras inteirinha.
Macho que se preze traz sempre consigo uma interminável tonelada de incríveis argumentos, cospem do mais simples “sei porque sei e, não se fala mais disso”, aos elaboradíssimos raciocínios baseados em teses cientificamente comprovadas "tal como demonstrou ontem, o cabeçalho do fidelíssimo jornal A Bola"…

……há sempre troco para tudo e todos.

 

Troco


xiba-te
by Hellder Pinho, em 11.06.12 às 03:33link do post | favorito

Às duas por três acabamos sempre por chegar lá, palavra puxa palavra, a conversa azeda e, pimba, acabamos no asneirêdo, não é coisa bonita mas de facto chega a ser vulgar, quando caímos na realidade já é tarde de mais e, os impropérios que vomitamos fazem-nos agora engolir em seco e, deixam-nos decididamente envergonhados. Contudo os asneirentos ocasionais são meros amadores se compararmos com os profissionais do palavrão, esses que não conseguem construir uma frase sem colocar pelo meio uma catrefada de asneiras, homens de barba rija e mulheres de pelo na benta, que a avaliar pelo seu palavreado: na cozinha só temperam com alho, estão sempre a mandar os outros fazer viagens curtas, trazem sempre a genealogia do ramo materno na ponta da língua, são versados em ginecologia e pecuária, aliás devem pertencer a alguma linhagem estranha, uns serão aparentados de gado bovino e outros serão a prova provada de que os cães e as suas fêmeas são os melhores amigos do homem, tal é a frequência que nomeiam estas raças entre si. Ao fim e ao cabo trata-se de um linguajar estúpido que uns usam como forma de escape, outros «orgulhosamente» como forma de afirmação e, outros ainda na sua inocência sem remédio já não escapam à indecência.

 

don't love you

 

Exemplo de uma alcoviteira que quis deixar a sua marca num concorrido elevador e, sem qualquer pudor escreveu lá o seu apelido, só faltou nomear a raça e o número de telemóvel.


xiba-te
by Hellder Pinho, em 05.06.12 às 21:10link do post | favorito

«Onte à noute só bubi uma mine, as ôtras fôru todas das grãodes, ... acabou-se-mu guito,... deixei u carro nu tasco porque já nim malembraba cu tinha lubado,… quandê cheguê a casa a mulher estaba vem bubida, i arriou-me, i já num me mexi mais... i tibe munta sorte, desta bez inda dromi na suleira da poarta, i num xubeu,… acordei cando passou o padeiro, se num foss-ele nim tinha dado porela ca casa néra a minha...»

 

** tradução indisponível **

 

lombo de lagosta com camarões descascados e super-bock mini gelada

 

* imagem meramente ilustrativa *


xiba-te
by Hellder Pinho, em 07.03.12 às 20:58link do post | favorito

«Eles ando na escola a esturrar o dinheiro dos pais até aos 19 e 20 anos, os que lá chego e tiro cursos e ódespois num tem pra ondir trabalhar!»

 

os estudos e o futuro


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