by Hellder 'Lage' de Pinho
xiba-te
by Hellder Pinho, em 20.12.12 às 22:12link do post | favorito

Nasceu!


Numa garagem abandonada, coberta de chapa de zinco,
E num caixote velho de latas de óleo,
Entre desperdícios sujos e usados.

Nossa Senhora e S. José tinham vindo pela estrada,
Os pés no asfalto negro, onde circulavam carros de luxo:
Pedir boleia, pediram, mas ninguém viu ou quis ver,
Ou escutar o gesto...

Iam apressados para a ceia da noite,

Desbragada como um conta-quilómetros
E cheia de neblina e de promessas.

Nasceu!

Num caixote velho de latas de óleo,
Entre desperdícios sujos e usados.
O clarão dos holofotes chamou lá os vadios de todas as noites:
Os guarda-nocturnos, os policias de giro,
Os que não têm cama para dormir,
Os poetas e os fugidos à Lei - TODOS! -
Todos os que naquela e nas outras noites
Não tem para onde ir, nem onde comer.
Foi, porém, o clarão dos holofotes gastos que os levou lá:
E viram, sobre os desperdícios sujos, num caixote velho,
O Redentor do Mundo,
Aquecido pelos dez cavalos-vapor de um velho Ford T
Que trabalhando, acordava a vida no arrabalde longínquo.

S. José e Nossa Senhora choravam:

Todos pediam no mundo a ressurreição de Cristo!
E Ele viera, Ele encarnava de novo
Através do ventre puríssimo da Virgem,
Sob a custódia lirial do descendente de David.

Os donos dos carros de luxo cortavam o nevoeiro
Comprometidos pelas amantes caras que ficavam para trás;
As camionetas de transporte temeram a polícia das estradas
E os outros todos também não quiseram dar boleia, Ao Filho de Deus!

Foi assim que Nossa Senhora veio num pé a pé cansado
Pela estrada fria e asfaltada
Que ganhara um concurso nacional de arranjo e de beleza!

Na cidade aonde chegaram pela noite adiante
Todos comiam e bebiam o símbolo dessa noite:
As autoridades locais tinham mesmo dado aos pobres
A esmola de uma ceia em cartolina...
Por isso todos estavam ausentes das ruas e dos lugares de costume,

Menos aquele motorista que odiava Deus
E que não tinha mulher, nem filhos
E que por esse motivo estava ali, na praça,
Para atender os fregueses transviados.
Para esse a gruta de Belém não dizia
«Gloria in excelsis Deo» mas «Gloria in excelsis Dollar»!
E tinha a alma carregada de odio, Embora o coração fosse bom,
Tão bom
Como se ele fosse o próprio Cordeiro Imolado.

E foi ele que indicou a garagem deserta,
Numa rua suja onde só ilhas humanas
Habitavam, viviam e continuavam.
Foi por isso que Jesus Menino nasceu outra vez entre os homens,
Naquele barracão de lata zincada,
Num caixote de óleo, apodrecido, entre desperdícios
Que aqueceram e afagaram seu corpo tenro.
Os faróis velhos incendiaram o nevoeiro espesso

E chamaram os vagabundos daquela noite;
Os anjos cantaram nas peças enrouquecidas do klaxon
E os cavalos do velho motor cansado encheram de calor
Aquele recanto humano,
Onde todos os homens de boa vontade
Não ajoelhavam perante o Dollar.

Os vadios, os vagabundos, os guarda-nocturnos,
Motoristas e guarda-freios dos eléctricos
Atraídos pela luz, pelos cânticos e pelo calor divino
Que irradiava daquela garagem,
Foram todos em debandada para lá.
E prostraram-se diante do Filho de Deus,
Diante da Criança Divina
Igual - no corpo - às pobres, magras, sujas,
Mal vestidas, esquálidas, crianças humanas.
Prostraram-se e choraram
E chorou e rezou até
Aquele motorista que odiava Deus!

E três fugitivos das nações ocupadas pela liberdade alheia
Vieram - evadidos dos campos de concentração ­
Oferecer suas feridas, suas fomes, seu sangue inocente.

As buzinas dos carros todos
Tocaram a alegria daquela noite sem par...

Só o menino chorou para dentro
Porque sabia que o prenderiam outra vez,
Trinta e três anos depois,

Por sedicioso, como revoltado contra a Lei,
Aqui, por não ser do Pacto do Atlântico,
Alem, por não estar na Linha Geral do Partido.

Mas os humildes de todo o mundo
Viram e compreenderam
A mensagem daquela noite sem par.

Poema de: Amândio César (1921-1987)

 

Feliz Natal - Nasceu o Menino Jesus


xiba-te
by Hellder Pinho, em 28.12.11 às 19:27link do post | favorito

Nasceu.

Foi numa cama de folhelho,

entre lençóis de estopa suja,

num pardieiro velho.

Trinta horas depois a mãe pegou na enxada

e foi roçar nas bordas dos caminhos

manadas de ervas

para a ovelha triste.

E a criança ficou no pardieiro

só com o fumo negro das paredes

e o crepitar do fogo,

enroscada num cesto vindimeiro,

que não havia berço

naquela casa.

 

E ninguém conta a história do menino

que não teve

nem magos a adorá-lo,

nem vacas a aquecê-lo,

mas que há-de ter

muitos Reis da Judeia a persegui-lo;

que não terá coroas de espinhos

mas coroas de baionetas,

postas até ao fundo

do seu corpo.

Ninguém há-de contar a história do menino.

Ninguém lhe vai chamar o Salvador do Mundo.

 

por: Álvaro Feijó

Porque ainda é Natal!

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xiba-te
by Hellder Pinho, em 25.12.11 às 10:48link do post | favorito

Nesta gélida manhã do dia em que celebramos a alegria do nascimento do redentor, algures na zona norte da área metropolitana do Porto, uma família, acordou como todas as manhãs para o duro desafio da vida, sem lar “vivem” no carro, um casal com duas crianças, não há destino que justifique tal desaire, se for consciente não haverá maior sofrimento que a dor dos pais, …receberam um pequeno agrado, mas,

será que estas crianças souberam que era Natal.

 

Este não é um conto de Natal


xiba-te
by Hellder Pinho, em 22.12.11 às 17:20link do post | favorito

Este Natal não peço pouco, uma chama de esperança, que tudo melhore, e que a alegria não desapareça do rosto dos nossos filhos, seria muito e bom.

Feliz Natal!

 

Feliz Natal 2011 - Uma Chama de Esperança

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xiba-te
by Hellder Pinho, em 19.12.11 às 21:58link do post | favorito

Já todos ouvimos a célebre frase dos tempos ditos difíceis: “uma sardinha para três”, já muitos de nós passamos por dificuldades, já alguns chegaram a comer “massa com massa”, mas tudo parece passado e não temos presente a realidade que nos rodeia, na maior parte das vezes encaramos o problema daqueles que hoje em dia passam dificuldades como uma coisa distante que só se fala na televisão, mas por todo o lado há pessoas a passar: FOME, são desempregados que não têm o que dar de comer aos filhos, são trabalhadores que não conseguem equilibrar o orçamento familiar, são pessoas que passam dificuldades e “comem o pão que o diabo amassou” nesta vida em que ninguém merece tal castigo, para muitos esta época não passará de mais uma data no calendário da sobrevivência com o sabor amargo de quem pouco ou nada tem para pôr na boca… sinto falta de coragem até para escrever isto, vergonha (será?!) de ser impotente, podemos dar, dar e dar e não acabar com o problema: da conjuntura (dirão os pragmáticos), a solução não é simples mas depende de todos nós e deverá começar por cima: acabar com os “tachos”, reduzir a despesa, dotar a sociedade de valores morais para criar condições para que a economia evolua: inovar, criar, produzir, os chavões poderiam continuar mas… entretanto continuaremos a ter Natais sem consoadas nem tão pouco caldeirada.

Um tacho de batatas com atum em lata - Natal 2011



xiba-te
by Hellder Pinho, em 10.12.11 às 17:42link do post | favorito

«O Pai Natal à beira do menino Jesus é um velhote.»

Os velhos têm a lábia toda, mas as crianças com a infinita sabedoria dos inocentes são bem mais puras, não adianta esconder, mais cedo ou mais tarde eles chegam lá:

quanto mais velhos mais matreiros (ficamos)!

 

«O Pai Natal à beira do menino Jesus é um velhote.»


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