by Hellder 'Lage' de Pinho
xiba-te
by Hellder Pinho, em 31.08.15 às 23:22link do post | favorito

Há muito que as férias terminaram para a grande maioria, em ano de eleições não se fala de crise e assim foi, marias e maneis rumaram aos locais turísticos de nomeada, bolsos mais ou menos recheados com uns trocos, e se hoje neste bar se bebeu uma Pedras ao preço de um pack no supermercado, amanhã se poupará fazendo um arrozito de atum para quatro, que sempre é peixe, que é o que fica bem dizer que se comeu quando se anda pela costa litoral, vêm-se as vistas, disserta-se secretamente acerca da proporcionalidade inversa entre o preço dos biquínis e o tamanho do bronzeado que provocam, tosta-se a pele coisa que ainda é à borla, dá-se um mergulho no mar, encontra-se o primo emigrante na França e para discutir a teoria à volta do migrante que agora deixou ou não cair o “i”, ou o “e” ou…, volta-se para a esplanada para mais uma rodada de Super-Bock e tremoços, que isso dos camarones e caracoles é cousa para turista estrangeiro e rico, e isto anda pejado deles carago! Eles chegam alguns a pé pelos caminhos de Santiago, outros pelas estradas das maneiras mais exóticas: desde a tradicional Pão de Forma, à mais moderna Autocaravana, passando por sucatas ambulantes que parecem ter saído dos saldos de um qualquer exército há muito extinto, tudo serve, e vão todos direitinhos à nossa costa, ver o mar, de onde chegam os navios de cruzeiro, autênticas babilónias ambulantes, que brotam gentios desejosos de nos conhecer e gozar da nossa hospitalidade, de máquina fotográfica na mão e sempre de olhar posto no céu para ver este sol maravilhoso que nos abraça, e onde se avistam essas grandes aves surgidas do horizonte, são os chárteres a descer à terra, tal como profetizou um inspiradíssimo iluminado, são paletes deles que vêm para cá gastar o guito. Nas principais cidades a máquina está montada e pronta a recebê-los de braços abertos, venham e voltem sempre, que enquanto por cá andarem dão trabalho a muita gente, estes são os dias das férias dos outros, numa azafama completa e com o país a banhos eles trabalham para que outros desfrutem, são os heróis na sombra, queimados por um sol que sem escolha os beija de manhã à noite, cansados da noite que só termina já o dia vai alto, são parte de uma grande engrenagem que trabalha na surdina desde a produção, passando pela distribuição e garante que quando o cliente sentir sede lhe possa ser servida a melhor seiva que do Caramulo brota, e que sempre que este se queira aliviar nunca lhe falte a água del cano. Verão (aqueles que quiserem) que neste entretanto o país não parou, houveram muitos a trabalhar para isso, foram tantas vezes heróis na sombra. Já agora, a economia agradece?!

Verão - Praia de SuperTubos - Peniche

 


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