by Hellder 'Lage' de Pinho
xiba-te
by Hellder Pinho, em 15.10.16 às 21:43link do post | favorito

Continuamos a não aprender com a história, mudam-se os tempos mas continuam as vontades politicas, quem manda prefere construir «Elefantes Brancos» a fazer o necessário, foi assim no seculo XVIII quando escorria para a metrópole o «Ouro Preto», e continua a ser agora, andamos sempre com os «bolsos rotos» mas arranja-se sempre forma de se fazer uma obra de «encher o olho» para inaugurar em véspera de eleições. Trafulhas sempre os houve, no passado iam parar à fogueira, agora andam por aí de cabeça erguida seguidos por um batalhão de advogados.

Ouro Preto - Sergio Luis de Carvalho.jpg

Ouro Preto - Sergio Luis de Carvalho

 


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by Hellder Pinho, em 11.12.15 às 22:54link do post | favorito

Um conjunto de vontades e (des)enganos junta-se numa pacata estância termal, os seus protagonistas vão dançando ao ritmo das suas vontades, ora conduzindo, ora deixando-se levar, cada um com um objectivo diferente, mas acertando sempre o passo ao do seu parceiro de ocasião, numa dança pegada, repleta de compassos de insinuada atração e de acordes de desajeitada maquinação.

a valsa do adeus - milan kundera

A Valsa Do Adeus - Milan Kundera


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by Hellder Pinho, em 05.11.15 às 22:35link do post | favorito

Eles já aguçam o dente, estão com fome de poder e vão lutar por ele nem que seja preciso renegar aquilo que dizem ser os fundamentos da sua ideologia, são astutos e determinados, representam Elites e as suas posições denunciam-no claramente. Os rumores das medidas que estes estarolas poderão eventualmente tirar da cartola passam: pela fidalguia de acabar com os exames no final do primeiro ciclo, a nobreza de permitir a adoção a casais homossexuais, aqui e ali entremeadas com as habituais medidas de defesa do proletariado, e (já agora) viva a libertinagem desta alta-roda do poder liberalizar o consumo de drogas leves.

Em politica, e tratando-se de conseguir chegar ao poleiro, tudo é possível, até fazer depois dos votos as coligações que na campanha eleitoral diziam ser irrevogavelmente impossíveis. Dizem que já têm um acordo com o partido que perdeu as eleições, embora não se conheça o seu conteúdo, até parece que o povinho não é parte interessada. Contudo continuam (ainda) presos por uma questão de “detalhe”, aguardam que a sua marioneta amestrada continue de punho cerrado e iludido com o poder, e consiga indrominar o ultimo baluarte Marxista-leninista da Europa, para poderem então abrir a dita cuja caixa de pandora quando subir ao poder a nova Elite, aqueles que sempre renegaram o poder, e dos seus comparsas, tornando o grupo dos vencidos num governo de Bloco à Esquerda.

assembleia da republoca portugal sessao parlamento

 


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by Hellder Pinho, em 30.10.15 às 23:11link do post | favorito

Fora com os políticos de meia tijela empenhados em apregoar políticas irreais, radicais e pouco (ou mesmo nada) ortodoxas.

Temos assistido nos últimos tempos à ascensão mediática de (supostamente eloquentes) representantes partidários, que aproveitando o tempo de antena da guerra que eles próprios instalaram no seio da vida politica portuguesa, adoptam uma posição de constante oposição e critica destrutiva, desperdiçando assim tempo e dinheiro tão necessários a ajudar o Nosso País a dar o tão esperado ultimo empurrão contribuindo (por exemplo) para o desenvolvimento da industria, daquela que cria postos de trabalho, e capaz de gerar riqueza (HELLO!), que até prova em contrário será a uma solução para sair do (tal) “buraco”, que, nunca é de mais recordar (até porque é realidade e não filosofia), essa crise para onde fomos atirados depois de anos e anos de politicas de esquerda, centradas no sector estado em que só se apostou nos sectores não transaccionáveis estagnando (essa coisa) a dita economia real.

Os frutos vermelhos, esses radicais livres, que era suposto serem antioxidantes e benéficos à saúde do regime, ao invés disso, e depois de provavelmente terem andado a fumar daquilo que faz rir, defendem com unhas (de gel) e pivôs bem treinados, que o caminho é passar a letra morta os acordos europeus (e até outros), esquecer o deficit e a inflação, mandar os credores para o galheiro (imprimir moeda), e viver a nossa vidinha, assim tipo orgulhosamente sós, na pobretana ignorância (instrumentalizada), até porque vergonhosamente fazem vista grossa ao que se vai passando à sua volta, nem que se tenha de camuflar algumas (incómodas) notícias com recurso ao lápis azul da censura, sem demonstrarem um pingo de ética, ao arquitectarem um (talvez licito) golpe de estado, com o único propósito de fazer chegar ao poder um líder derrotado, demonstrando uma atitude quase ditatorial, que deverá fazer revolver na tumba de Salazar a Saramago todos aqueles que algum dia tiveram um pingo de hombridade.

microfones renascença rtp tsf outros.jpg

A situação chega a ser tão patética, que os média dão (tanta ou) mais importância às baboseiras de um radical, que a uma qualquer proposta bem-intencionada feita de um qualquer reconhecido estadista. Acordem! Abram a pestana!

 

#AbaixooBotabaixismo


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by Hellder Pinho, em 31.08.15 às 23:22link do post | favorito

Há muito que as férias terminaram para a grande maioria, em ano de eleições não se fala de crise e assim foi, marias e maneis rumaram aos locais turísticos de nomeada, bolsos mais ou menos recheados com uns trocos, e se hoje neste bar se bebeu uma Pedras ao preço de um pack no supermercado, amanhã se poupará fazendo um arrozito de atum para quatro, que sempre é peixe, que é o que fica bem dizer que se comeu quando se anda pela costa litoral, vêm-se as vistas, disserta-se secretamente acerca da proporcionalidade inversa entre o preço dos biquínis e o tamanho do bronzeado que provocam, tosta-se a pele coisa que ainda é à borla, dá-se um mergulho no mar, encontra-se o primo emigrante na França e para discutir a teoria à volta do migrante que agora deixou ou não cair o “i”, ou o “e” ou…, volta-se para a esplanada para mais uma rodada de Super-Bock e tremoços, que isso dos camarones e caracoles é cousa para turista estrangeiro e rico, e isto anda pejado deles carago! Eles chegam alguns a pé pelos caminhos de Santiago, outros pelas estradas das maneiras mais exóticas: desde a tradicional Pão de Forma, à mais moderna Autocaravana, passando por sucatas ambulantes que parecem ter saído dos saldos de um qualquer exército há muito extinto, tudo serve, e vão todos direitinhos à nossa costa, ver o mar, de onde chegam os navios de cruzeiro, autênticas babilónias ambulantes, que brotam gentios desejosos de nos conhecer e gozar da nossa hospitalidade, de máquina fotográfica na mão e sempre de olhar posto no céu para ver este sol maravilhoso que nos abraça, e onde se avistam essas grandes aves surgidas do horizonte, são os chárteres a descer à terra, tal como profetizou um inspiradíssimo iluminado, são paletes deles que vêm para cá gastar o guito. Nas principais cidades a máquina está montada e pronta a recebê-los de braços abertos, venham e voltem sempre, que enquanto por cá andarem dão trabalho a muita gente, estes são os dias das férias dos outros, numa azafama completa e com o país a banhos eles trabalham para que outros desfrutem, são os heróis na sombra, queimados por um sol que sem escolha os beija de manhã à noite, cansados da noite que só termina já o dia vai alto, são parte de uma grande engrenagem que trabalha na surdina desde a produção, passando pela distribuição e garante que quando o cliente sentir sede lhe possa ser servida a melhor seiva que do Caramulo brota, e que sempre que este se queira aliviar nunca lhe falte a água del cano. Verão (aqueles que quiserem) que neste entretanto o país não parou, houveram muitos a trabalhar para isso, foram tantas vezes heróis na sombra. Já agora, a economia agradece?!

Verão - Praia de SuperTubos - Peniche

 


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by Hellder Pinho, em 27.11.14 às 18:31link do post | favorito

"O senhor está a portar-se pior do que uma criança. Que é que o senhor quer? Julga que pode terminar rapidamente com o seu enorme processo, o seu maldito processo, só por se pôr a discutir connosco, que não passamos de guardas, tratamos questões de documentos de identificação e de mandatos de captura?"

in O Processo, Franz Kafka

manchete jornal publico - socrates

 


xiba-te
by Hellder Pinho, em 18.04.14 às 19:21link do post | favorito

Porreiro, aquele fim de semana prolongado, ou até uns dias de férias, mandar o trabalho para o galheiro, e nem importa como, os argumentos são os habituais, a Páscoa, e a família.

 

Mas será mesmo assim, ou estamos a enganar-mos a nós próprios. O que tem isso de religioso, ou esse tão apregoado bem estar familiar será apenas e só isso.

 

"Ai, por ...mor da santa que eu não posso faltar, o Sôr Abade há-de ir lá casa, beber um copo daquele da pipa grande, que tá guardado pra ele, a minha senhora mum m'habia de perdoar, seu n'um pusesse os foguetes... ainda m'alembro da coça c'apanhei há uns anos que m'esqueci e fiquei no café a buber umas bujecas c'a malta."

 

Ilusões, ou apenas fachada, aquelas mini férias nuns Algarvios quaisquer, com umas #selfies tiradas numa qualquer esquina de faz de conta só para meter inveja no "face"..., e é disparar à vontade que aquelas meias rotas a esconder tantas misérias de turista de pé descalço não se vêem.

 

Páscoa 2014

Páscoa 2014


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by Hellder Pinho, em 15.02.14 às 22:34link do post | favorito

Muito se falou sobre esta obra, contudo para os que não a leram há duvidas se levantaram:
 
Afinal, será carne ou peixe?
Bem, peixe não é, e carnal é certamente, mas a mão que temperou não tinha a mão lá muito certa e se houve vezes em que carregou no picante, outras foram em que se desleixou e deixou correr o texto para uma pura dieta, sem sequer pitada de sal. Esta obra pseudo gourmet acaba por saber um bocado a fast food em formato enfarda burros.

Então, não há nada de novo debaixo do céu?
Não é bem assim, abriram-se brechas, alargaram-se horizontes, desmistificaram-se temas. Mas depois disto tudo a vida continua, as donas de casa voltarão ao seu estado normal de “Anastácias” e hão-de continuar a achar muito mais entusiasmante o consultório da revista Maria do que estes Cinquenta contos para dormir. Contudo muitas serão aquelas que não darão por perdida a saliva que gastaram a virar as paginas do livro e... não voltarão a beber espumante da mesma maneira.

 

 As Cinquenta Sombras Livre - E L James


Para uma historia que muito pau prometeu levantar, estes três volumes não mais fizeram do que deitar abaixo muitas árvores, e fazer vergar a mola de quem com tanta folha de papel carregou.

Esclarecidos? Não me parece, leiam um bocado... e façam o favor de ser felizes.


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by Hellder Pinho, em 31.03.13 às 02:27link do post | favorito

Agora que as campainhas já reteniram nas igrejas e os foguetes ribombaram nos céus, gritamos: Aleluia! que é tempo de alegria, o cordeiro já está em calda, os ovos a farinha e o açúcar transformam-se agora em fontes de desejo colestérico, damos largas à nossa alegria porque Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente, sem nunca esquecermos o sacrifício que Ele fez por nós ao padecer na cruz para remissão dos nossos pecados, celebramos dando azo à nossa gula, vamos de casa em casa anunciar a Boa Nova, e nos compassos dessas voltas deitamos toda a nossa vaidade, rejubilamos de alegria porque o nosso coração está feliz, na certeza de sermos filhos de Deus, constituídos à sua imagem e semelhança,  a obra prima da criação, pelo que devemos sempre agradecer:

Obrigado Senhor, por nos teres feito assim tão… humanos.


Santa Páscoa! Doce no Coração…


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by Hellder Pinho, em 12.02.13 às 18:34link do post | favorito

Podem tirar-nos o salário, podem tirar-nos o feriado, podem estropear-nos, podem tirar-nos tudo, porque para o carnaval nós despimo-nos (com gosto), trajamos o que nos der na real gana e gozamos à força toda, faça chuva, faça sol!

as verdadeiras matrafonas

 

As Verdadeiras Matrafonas


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by Hellder Pinho, em 06.02.13 às 19:01link do post | favorito

Sabe tudo, vai a todas, já viu todas, já esteve com todas, conhece-as todas, é convencido, fanfarrão, galanteador compulsivo, (pouco) criterioso, (in)fiel por natureza, aldrabão,… o macho latino é assim, não tem emenda.


Uma Noite, Danço para te seduzir, Hoje é a Noite! Frases Nicola

 

Uma Noite, Danço para te seduzir, Hoje é a Noite!

Frases Nicola


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by Hellder Pinho, em 25.01.13 às 21:55link do post | favorito

Eu, o blog e a ritinha, fartos da chuva, do mau tempo, dos impostos, dos duodécimos, da intrujice, e de muito mais, queremos só que nos deixem viver, e não nos chateiem muito a mona.

É complicado suportar a teimosia da sociedade, não temos de ter opinião para tudo e mais alguma coisa, não temos de andar sempre a falar disto e daquilo, ter de saber se chove ou cai geada, se é preciso cortar ou pedir emprestado, se isso é tapar a cabeça ou destapar os pés, se as louras são platinadas ou verdadeiras, se fazem solário ou se pintam com verniz, se as ditas são de gel ou naturais, e sem sequer se poder testar… é preciso ter lata!

Neste país de comentadores, somos cada vez mais convidados a condicionadamente expressar “livremente” a nossa opinião para que logo a seguir, basta virar costas, sermos vitimas de chacota, porque por mais assertivos que sejamos haverá sempre um qualquer hipócrita, versado no dão da verdade suprema (a sua), pronto a vomitar uma qualquer critica de bota-abaixo.

Enfim viva a liberdade de fazer-mos ouvidos moucos (dá cá um jeitaço), de nos alhearmos da politica (já era), de mandarmos a economia para o galheiro (o pesadelo), de não reparar-mos na perua espampanante (como se isso fosse possível)...

 

cadela ritinha

 

…no fim de contas todos ambicionamos o mesmo: o blog quer posts bons, eu quero ser feliz, a ritinha não quer que a aborreçam, como todos: à procura de melhores dias!


xiba-te
by Hellder Pinho, em 07.01.13 às 18:44link do post | favorito

Mais uma volta à cidade e não arranjo lugar de estacionamento, todos aqueles lugarzinhos em frente ao prédio ocupados, que nojo!, não suporto mais!, vou enfiar o carro em cima do passeio, ou num buraco qualquer e nem sequer vou meter moedinhas no parquímetro. À boa maneira portuguesa só me contento se conseguir estacionar mesmo em frente à clínica, o corredor até é largo, e com jeitinho o carro até subia ao 4º andar no elevador (vá lá no monta-cargas), mas não, tenho de continuar a andar aqui às voltas, só porque não quero gastar mais «cinco reis» de sola de sapatos… rendo-me às evidências e depois de ter perdido a conta às voltas que dei à rua e às rotundas, meto por uma rua lateral e «pimba», fico logo de cacholas, dois ou três lugares ocupados e meia dúzia de lugares vazios.

            Cheguei tarde à consulta, e culpei logo a falta de estacionamento (mentira), se a médica fosse dentista até os dentes me caíam. No fim e feitas as contas o resultado foi o habitual: desembolsei 60 «broas» para saber que está tudo bem, deveria era estar todo feliz e contente, e mais nada. De regresso ao carro ainda me perdi frente à montra da esquina à conversa com uma «perua» conhecida, quando me lembrei… do estacionamento, já era tarde...

            Desde que a Câmara Municipal entregou o serviço de estacionamento a uma empresa privada (as famigeradas PPP), o zeloso palmilhador de parquímetros passa o dia acima e abaixo, à procura do talãozinho, ou melhor da falta dele, e parece que encontrou mais um, o bilhete e o envelope no limpa pára-brisas não deixam duvidas, mais um incauto condutor vai ter um presente quando regressar à viatura, desta vez… andei às voltas, às voltas, mas mesmo assim por 15 cêntimos… passou.


Ticket de parquimetro

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by Hellder Pinho, em 20.12.12 às 22:12link do post | favorito

Nasceu!


Numa garagem abandonada, coberta de chapa de zinco,
E num caixote velho de latas de óleo,
Entre desperdícios sujos e usados.

Nossa Senhora e S. José tinham vindo pela estrada,
Os pés no asfalto negro, onde circulavam carros de luxo:
Pedir boleia, pediram, mas ninguém viu ou quis ver,
Ou escutar o gesto...

Iam apressados para a ceia da noite,

Desbragada como um conta-quilómetros
E cheia de neblina e de promessas.

Nasceu!

Num caixote velho de latas de óleo,
Entre desperdícios sujos e usados.
O clarão dos holofotes chamou lá os vadios de todas as noites:
Os guarda-nocturnos, os policias de giro,
Os que não têm cama para dormir,
Os poetas e os fugidos à Lei - TODOS! -
Todos os que naquela e nas outras noites
Não tem para onde ir, nem onde comer.
Foi, porém, o clarão dos holofotes gastos que os levou lá:
E viram, sobre os desperdícios sujos, num caixote velho,
O Redentor do Mundo,
Aquecido pelos dez cavalos-vapor de um velho Ford T
Que trabalhando, acordava a vida no arrabalde longínquo.

S. José e Nossa Senhora choravam:

Todos pediam no mundo a ressurreição de Cristo!
E Ele viera, Ele encarnava de novo
Através do ventre puríssimo da Virgem,
Sob a custódia lirial do descendente de David.

Os donos dos carros de luxo cortavam o nevoeiro
Comprometidos pelas amantes caras que ficavam para trás;
As camionetas de transporte temeram a polícia das estradas
E os outros todos também não quiseram dar boleia, Ao Filho de Deus!

Foi assim que Nossa Senhora veio num pé a pé cansado
Pela estrada fria e asfaltada
Que ganhara um concurso nacional de arranjo e de beleza!

Na cidade aonde chegaram pela noite adiante
Todos comiam e bebiam o símbolo dessa noite:
As autoridades locais tinham mesmo dado aos pobres
A esmola de uma ceia em cartolina...
Por isso todos estavam ausentes das ruas e dos lugares de costume,

Menos aquele motorista que odiava Deus
E que não tinha mulher, nem filhos
E que por esse motivo estava ali, na praça,
Para atender os fregueses transviados.
Para esse a gruta de Belém não dizia
«Gloria in excelsis Deo» mas «Gloria in excelsis Dollar»!
E tinha a alma carregada de odio, Embora o coração fosse bom,
Tão bom
Como se ele fosse o próprio Cordeiro Imolado.

E foi ele que indicou a garagem deserta,
Numa rua suja onde só ilhas humanas
Habitavam, viviam e continuavam.
Foi por isso que Jesus Menino nasceu outra vez entre os homens,
Naquele barracão de lata zincada,
Num caixote de óleo, apodrecido, entre desperdícios
Que aqueceram e afagaram seu corpo tenro.
Os faróis velhos incendiaram o nevoeiro espesso

E chamaram os vagabundos daquela noite;
Os anjos cantaram nas peças enrouquecidas do klaxon
E os cavalos do velho motor cansado encheram de calor
Aquele recanto humano,
Onde todos os homens de boa vontade
Não ajoelhavam perante o Dollar.

Os vadios, os vagabundos, os guarda-nocturnos,
Motoristas e guarda-freios dos eléctricos
Atraídos pela luz, pelos cânticos e pelo calor divino
Que irradiava daquela garagem,
Foram todos em debandada para lá.
E prostraram-se diante do Filho de Deus,
Diante da Criança Divina
Igual - no corpo - às pobres, magras, sujas,
Mal vestidas, esquálidas, crianças humanas.
Prostraram-se e choraram
E chorou e rezou até
Aquele motorista que odiava Deus!

E três fugitivos das nações ocupadas pela liberdade alheia
Vieram - evadidos dos campos de concentração ­
Oferecer suas feridas, suas fomes, seu sangue inocente.

As buzinas dos carros todos
Tocaram a alegria daquela noite sem par...

Só o menino chorou para dentro
Porque sabia que o prenderiam outra vez,
Trinta e três anos depois,

Por sedicioso, como revoltado contra a Lei,
Aqui, por não ser do Pacto do Atlântico,
Alem, por não estar na Linha Geral do Partido.

Mas os humildes de todo o mundo
Viram e compreenderam
A mensagem daquela noite sem par.

Poema de: Amândio César (1921-1987)

 

Feliz Natal - Nasceu o Menino Jesus


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by Hellder Pinho, em 02.12.12 às 19:20link do post | favorito

…não é todos os dias que nos fazem uma oferta destas, e logo três de uma vez, a diferença saltava logo à vista, uma das nossas de faces bem rosadinhas, tamanhinho roda 20 (pequenina como a sardinha), e duas grandes louras que se destacavam-se à distância, ao perto (bem mais ao perto) senti-me logo atraído pelo aroma perfumado da nossa patrícia, mas tinha de escolher e não me fiz de esquisito, senti-lhes a pele macia e apalpei-as (bem apalpadas).

A fome já se juntava à vontade de comer e não demorei muito a decidir-me por uma das russas, tive mais olhos que barriga e nem sequer me dei ao trabalho de a descascar.

Atirei-me a ela à dentada (como se não houvesse amanhã), mas logo se confirmou que era tudo fogo-de-vista, nem ofereceu resistência, muito balofa, sem consistência, e quase sem sumo, (além disso) deu muito trabalho, acabei desconsolado e tão enjoado que as outras vão ter de esperar por melhores dias para serem comidas…

As maçãs, tal como a nossa língua (portuguesa), são assim… muito traiçoeiras!


duas polacas e uma portuguesa

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by Hellder Pinho, em 08.11.12 às 21:19link do post | favorito

Portugal, Politica Vs Média,

uma abordagem muito (muito) superficial

 

Na nossa parvónia portuguesa as coisas são sempre assim, correm a toque de caixa da comunicação social, puxa-se por um qualquer tema e pimba…

vem um politico fala, fala, fala e é sempre a mesma coisa, se é do governo é porque tem de seguir aquela estratégia e coisa e tal, e está tudo bem, por mais feias que as coisas estejam, vamos sempre no bom caminho..., logo a seguir aparece um outro senhor da oposição, e apressa-se logo a dizer que não é bem assim, que é asneira, que está mal, e que é um erro o povo confiar nos que mandam, deixa sempre bem frisado que tem boas ideias (aliás as melhores), dá sempre a entender que sabe como devia ser feito (tudo e mais alguma coisa), mas nunca, por nunca, diz como fazer melhor.

 

A seguir vem a carneirada toda, os média que ainda não publicaram a noticia apressam-se a fazê-lo, procurando sempre o melhor ângulo de ataque, não confundir sequer com ponto de vista, a estratégia é mesmo (maior parte das vezes) de bota abaixo, as redacções encontram logo nas suas fileiras rebanhos de políticos de ambos os lados da barricada prontos a cuspir das mais elaboradas contradições ás mais esfarrapadas defesas. Com sorte o assunto morre por aqui e não passa dos tradicionais 3 minutos de reportagem, e/ou de umas quantas colunas no jornal adornadas por fotos com pelo menos um bom par de anos.

 

Se a coisa andar morna e o tema vender, entram em campo as sanguessugas, os comentadores políticos, com grade habilidade em embrulhar assuntos e sempre dispostos a acertar no cravo ou na ferradura, conforme tocar o vento, ora aparecem disfarçados de missionários do Bom Pastor e bota para lá uns bocadinhos de água benta, ora vestem o manto negro do mago que estiver mais à mão e toca a arriar a torto e a direito.

 

Se a coisa aquecer, se houver (aquela) possibilidade de fazer transbordar o assunto para a esfera pessoal, e se cheirar a parangonas… é aí, nesta guerra sem quartel que entram os «freelancer», essa estirpe de mercenários jornalísticos, que dedicam a vida a desenterrar (alegados) mistérios que possam, mesmo tenham de ser trabalhados (ou até adulterados), ligar à maquina uma qualquer noticia moribunda, e se possível, ressuscitá-la para que logo de seguida se possa fazer… sangue!


google news, portugal, politica vs média

Todo o parágrafo anterior teve outra redacção mas não a posso publicar porque poderia ferir susceptibilidades, contudo nem sequer no texto original a sua última palavra era «justiça», até porque esse conceito não consta do glossário de alguns média, que são cegos quando não lhes agrada ver.

Nota: este foi o meu comentário ao meu próprio post… tipo, para prolongar a coisa mais um pouco, assim, tipo!


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by Hellder Pinho, em 03.10.12 às 15:00link do post | favorito

A nossa sociedade acordou do pesadelo, afinal o sonho dos últimos anos não era mais que um balão de oxigénio que enchia os bolsos dos corruptos, e animava a populaça enquanto se faziam as obras, estes compatriotas sem escrúpulos enchiam os bolsos à custa da extorsão do erário publico, compactuados com os políticos que nós elegemos, é bom não esquecer fomos nós que os elegemos, não foi só o nosso vizinho, nem mesmo nos podemos demarcar só porque: não votamos, se não votaste manifestas-te a tua posição, mas aceitas-te que outro decidisse por ti.

Vivemos anos a fio numa boda a expensas de refinadíssimas instituições de crédito internacional, mas eis que sem darmos por isso já comemos tudo e a festa chegou ao fim, o organizador achou por bem fazer uma reflexão sabática e deu à sola enquanto era tempo, a raia miúda andava a apanhar as canas quando apareceram os cobradores do fraque, e fomos todos lavar pratos. A sociedade acordou agora do pesadelo, finalmente tomou consciência de que o festim acabou!, afinal o sonho dos últimos anos não era mais que um balão de oxigénio que animava a populaça enquanto se faziam obras, enchia os bolsos dos corruptos, compatriotas sem escrúpulos que encheram os bolsos à custa da extorsão do erário publico, compactuados com políticos que nós elegemos, é bom não esquecer fomos nós que os elegemos, não foi só o nosso vizinho, nem mesmo nos podemos demarcar só porque votamos noutro, ou não votamos, se não votaste manifestas-te a tua posição, mas aceitas-te que outro decidisse por ti!

Eis senão que chegaram os burrocráticos olharam para os contratos e disseram que isto era tal e qual a conta da Tv Cabo, e a promoção dos primeiros tempos tinha acabado, agora é a doer, por isso: "vamos penhorar-te o salário.”!

Fomos para a rua: reclamamos, gritamos, e esperneamos, impávido e sereno o Cavaleiro do Cavalo Negro nem tuge nem muge… lança-nos uma praga:

"PAGAS! e não bufas!"


portugal, sem cor, bandeira nacional


xiba-te
by Hellder Pinho, em 16.08.12 às 07:11link do post | favorito

Na praia é assim reina a democracia, são as Francesas com os seus enormes biquínis, as Alemãs a querem ver-se livres deles, e as Portuguesas que aderiram em massa à moda das Italianas e preferem os cavados, sempre enfiados, na linha que separa tudo isto encontramos alguns machos que continuam a preferir as esplanadas e as minis deixando assim a areia menos poluída, entretanto os miúdos continuam a divertir-se com o que mais interessa na praia: areia, sol e mar...

Agora resta besuntar as curvas com o creme de cenoura, espetar com os phones nos ouvidos dedilhar pelo iPod à procura do ultimo êxito do Tony Carreira, e esperar que passe um garoto qualquer mais atrevido e que nos deixe salpicados de areia qual panado acabadinho de fritar, o pretexto perfeito para (des)armar barraca e ir dar um bom mergulho, isto é ir molhar os pés, que mesmo com bandeira verde por aqui a água é fresquíssima e as ondas metem medo.

De volta à toalha é tempo de mordiscar uma maçã (qual macintosh qual quê: starking espanhola e ainda com a etiqueta, para dar mais style), até parecia mal trazer uns croquetes para a praia, mas até já ia...

Não há areal que se preze onde não apareçam os vendedores ambulantes, um marroquino carregado de produtos das melhores e mais caras marcas de renome, e como sempre cheio de faro para o negócio aborda um casal de Francius que a falar um português impec dizem que aquilo não lhes serve: «ando de Panamera num bou comprar disso» diz ele, «e o original Versace é verde e castanho queu bi em paris» queixa-se ela enchendo o peito de ar para realçar a caixa torácica, mais à frente o magrebino lamenta não ter os tais iPhone de 150 paus mas «ficaru retidos em Valência…», e há propostas para todos os gostos: «Bolacha Americana, a língua da Sogra... Ai Sogrinha!» apregoa um, «chora que a mãe dá» grita o das pipocas, por aqui só faltam (tipo) as bolas de Berlim, mas não fazem falta, não estivesse-mos nós numa praia do “noarte” e isso é coisa de alfacinhas que gostam de (tipo) se intoxicar…, o desfile continua, passa uma cigana carregada de cabides e larga mais um piropo: «ó jeitoza! querez'um bestido?», nisto o marroquino volta à carga e consegue sacar aos esquisitos 60 broas, uns óculos de sol para ele e uma mala para ela, afinal "as cores até cumbinam bem". Na debandada a alemã ainda fica à espera do pôr-do-sol e diverte-se na sua arte burlesca de esconder pouco aquilo que parece desejosa por mostrar, a esquisita chique trocou o saco preto do PingoDoce pela Versace, e o esquisito ainda não conseguiu pôr o Renault 19 a trabalhar, deve ter vindo com o carro do jardineiro e deixou o Porsche na garagem, só para disfarçar... Claro!

Na praia é assim reina a democracia.

Praia de Aver-o-Mar, Povoa de Varzim 

Praia de Aver-o-Mar, Povoa de Varzim


xiba-te
by Hellder Pinho, em 29.07.12 às 20:22link do post | favorito

Vivemos rodeados de sabichões superdotados, doutorados pela universal sabedoria popular, donos e senhores de uma inigualável inteligência multifacetada que abrange todo e qualquer tema que se aflore, quais wikipedias ambulantes estão sempre prontos para ter a melhor opinião, e na perspetiva deles a única possível e válida, argumentam do átomo à molécula, com a mesma facilidade que driblam entre o futebol e a politica, para eles a vida não tem segredos quer se trate de saber a melhor forma de cultivar o feijão ou a melhor lua para procriar, no lugar dos outros fariam sempre diferente já que a seu primoroso raciocínio superior assim o dita, senhores absolutos da melhor e mais acertada escolha, pena que não se olhem no espelho estes génios incompreendidos da economia das misérias humanas, que em ambos os estados de pobreza se equivalem.

Idiotas chapados, dotados duma trela imparável, só igualável ao seu sempre apurado ponto de vista, debitam pareceres (e outras quantas barbaridades) a uma velocidade tal que faria corar qualquer relatador de futebol profissional, sempre prontos a ombrear o seu patuá com a retórica do barbeiro mais afoito, o seu discurso faz a homilia do padre pregador parecer uma história de embalar.

 

Conversa para boi dormir

Donos de um cérebro constantemente ébrio, mesmo a “seco”, estão sempre prontos a cuspir a “melhor” opinião, se falamos de motas: «As 125 são um espetáculo aquilo é uma proeza e só andei numa uma vez as japonesas são boas mas as americanas são melhores», o tema muda para feijões: «que tem de ser plantados quando a terra estiver mais coisa… e cozidos na sopa são uma maravilha», e pneus: «para a chuva tens de usar daqueles dos rasgos…, mas agora de verão… há carradas deles na praia», e as hérnias: «são buracos onde se enfia uma tripa e com o esforço aquilo e uma dor do carago!»


xiba-te
by Hellder Pinho, em 17.07.12 às 04:44link do post | favorito

Como ainda não tinha tirado o canudo e, achei que era fixe ser tratado com deferência e, um titulo até… me caía bem, fui a uma (re)conhecida universidade, dirigi-me à secretaria apresentei as minhas credenciais, paguei os honorários que me foram propostos e, mandaram-me dirigir ao gabinete do director para outorgar, embora a porta estivesse aberta, como eu sou muito bem educado (consta do meu currículo) pedi licença para entrar, do outro lado da secretária a resposta foi pronta:

«está licenciado!»

 

Licenciatura... está licenciado!

 


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